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Os desafios das mulheres na pandemia



A pandemia acentuou algumas desigualdades na nossa sociedade. Dentre elas, uma das mais alarmantes foi a de gênero. Nos mais variados cenários, a diferença entre homens e mulheres pode ser vista através de dados coletados em pesquisas ou até mesmo na observação cotidiana. Seja na economia, educação, saúde ou até mesmo no cuidado com a família, as informações obtidas revelam que ainda há muito o que se fazer para que as mulheres possam usufruir dos mesmos direitos dos homens em diferentes ocasiões.

Em regime de home office, o trabalho das mulheres foi dificultado por diversos outros fatores, como o cuidado com os filhos e com os afazeres domésticos, por exemplo. A sua vida, como um todo, sofreu consequências graves que podem influenciar em anos de conquistas de direitos. Alguns dos principais problemas são apontados de acordo com as temáticas específicas, como as citadas abaixo.

SAÚDE MENTAL

Com relação à saúde mental das mulheres, uma pesquisa realizada com três mil pessoas aponta que elas foram as mais afetadas pela pandemia. Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP revela que, dos entrevistados, 40,5% delas desenvolveram sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse.

Além disso, as mulheres enfrentam os problemas de uma jornada dupla ou até mesmo tripla de trabalho, cuidando dos afazeres profissionais, domésticos e dos cuidados com os filhos. Com a permanência das crianças em casa, por tempo integral, as mães agora precisam dedicar ainda mais tempo na educação dos menores, auxiliando nas atividades escolares.

ECONOMIA

Na questão econômica, as mulheres foram afetadas, principalmente, na questão do desemprego. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, no terceiro trimestre de 2020, a taxa de desocupação no país foi de 12,8% entre os homens e de 16,8% entre as mulheres. Além disso, o risco de demissão é quase duas vezes maior para as mulheres que estão empregadas.

Na questão dos empregos, um relatório da ONU aponta que a maioria das mulheres ainda trabalham na informalidade, o que é um grande problema em caso de demissão, já que, nesse cenário, elas não possuem garantias de direitos trabalhistas, como o seguro desemprego, férias e outros benefícios. Além disso, alguns desses trabalhos não podem ser realizados à distância, como faxinas e o trabalho de vendedoras ambulantes, por exemplo. As mulheres que sustentam as famílias também encontram grandes dificuldades para manter seus salários.

VIOLÊNCIA

Os casos de violência contra a mulher apresentaram um destaque negativo no período de pandemia. Pesquisas apontam que, em abril de 2020, os registros de denúncias de agressões contra mulheres aumentaram em 35%, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. É importante destacar que este não é um problema específico da pandemia, mas se acentuou no momento atual. Outro dado alarmante refere-se ao feminicídio no país, que aumentou em 5% entre março e abril de 2020, também comparado aos dados do mesmo período do ano anterior.

EDUCAÇÃO

Para as mulheres que ainda fazem parte do ambiente acadêmico, a pandemia também agravou sua situação. Algumas entrevistas com mulheres do meio apontam que o rendimento delas caiu drasticamente no momento atual, o que se dá principalmente pela dificuldade de concentração no ambiente doméstico, seja pelos cuidados com filhos ou afazeres domésticos.

Algumas mulheres relatam que as tarefas relacionadas à pesquisa acadêmica precisam ser feitas durante a madrugada, momento em que elas estão menos ocupadas com as questões do lar, mas o problema é que também estão cansadas e buscam repouso neste período. Toda essa problemática faz com que a pesquisa, como um todo, apresente um déficit. Isso acontece porque as mulheres estão submetendo menos artigos e tendo mais dificuldades para cumprir os prazos, inclusive aqueles que se referem aos pedidos de financiamento de pesquisa.

Todas as questões apresentadas chamam a atenção para o cuidado com as políticas públicas que devem ser adotadas para as mulheres. É importante refletir que todos esses problemas acontecem em um momento em que muitos celebram as conquistas de alguns direitos. Claro que são importantes, mas colocá-los em prática, e incentivar a igualdade, é o cenário ideal para todas.

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